Autor: Ricardo Isidoro
Chefe do serviço de Broncoscopia. Hospital Enrique Tornú. Buenos Aires. Argentina.
Introdução
A desobstrução traqueobrônquica é um método para tornar a via aérea pérvia e oferecer uma melhor qualidade de vida ao paciente. A partir de 1997, o serviço de broncoscopia do Hospital Enrique Tornú realiza os primeiros tratamentos endocirúrgicos de reconstrução da luz traqueal e brônquica, com utilização de stents.
Foram tratadas lesões oclusivas e suboclusivas, de natureza benigna ou maligna, da traqueia e/ou brônquios em 100 pacientes. Todos eles haviam sido excluídos da cirurgia convencional a céu aberto em função das características anatômicas de suas lesões ou devido ao estágio avançado de sua doença.
Os procedimentos de desobstrução da via aérea foram efetuados com:
- Bisturi elétrico de alta frequência
- Dilatação mecânica
- Implante de prótese
Indicações
Afecções neoplásicas ou suas consequências
- Neoplasias traqueobrônquicas
- Compressão extrínseca ou comprometimento da submucosa
- Na sequência de fotorressecção a laser, crioterapia ou eletrocautério, para manter a abertura da via aérea
- Fístula traqueobroncoesofágica (em conjunto com stent esofágico)
Afecções benignas
- Estenoses brônquicas secundárias a anastomoses terminoterminais ou transplante pulmonar
- Pós-traumática (pós-intubação)
- Pós-infecciosas (tuberculose endobrônquica, histoplasmose com fibrose mediastinal, herpes vírus, difteria, infecções oportunistas em imunocomprometidos)
- Traqueobroncomalácia: focal, seguindo traqueostomia ou terapia radiante; ou difusa: idiopática, policondrite ou síndrome de Mounier-Kuhn
- Tumores traqueais ou brônquicos: papilomatose, amiloidose
- Pós-inflamatórias (Doença de Wegener)
Miscelânea
- Compressão extrínseca por aneurisma de aorta
- Distorção traqueal por cifoescoliose
- Obstrução traqueal por stent esofágico
Contraindicações
- Não existem contraindicações na urgência
- Afecções da laringe que impeçam a intubação traqueal com broncoscópio rígido
- Traqueostomia
Complicações
- Hemorragia
- Combustão
- Perfuração da parede da via aérea
- Incrustação de secreções
- Migração da prótese
- Colonização do stent
Material e método
Dos 100 pacientes tratados, 40 padeciam de obstrução da via aérea de etiologia benigna e 60 por causa de afecção neoplásica ou suas consequências.
O tratamento de recanalização traqueobrônquica exigiu a utilização de 86 próteses de silicone para assegurar a ventilação.
Resultados
Nos casos com estenose benigna, conseguiu-se a recuperação da luz da via aérea em todos eles. Um paciente faleceu às 6 semanas por pneumonia estafilocócica.
Dos 60 pacientes com doença neoplásica, 55 (92%) recuperaram a ventilação da área comprometida, com melhora sintomática, e seguiram a evolução de sua patologia de base. Nos 5 restantes (8%), a desobstrução não foi possível por se tratar de lesões endoluminais e intramurais infiltrantes. A hemorragia intensa foi uma complicação que obrigou à interrupção do procedimento em um caso.
Conclusões
A recuperação da luz da via aérea produz um alívio imediato para o paciente com estenose benigna. Nos casos com doença neoplásica que tenham sido excluídos da ressecção cirúrgica a céu aberto, a recanalização por via endoscópica oferece a possibilidade de uma melhor sobrevida e afasta as complicações imediatas.
Foram tratados 100 pacientes com obstrução traqueal ou brônquica de natureza benigna ou maligna com bisturi elétrico de radiofrequência e/ou dilatação mecânica, com implante de 86 próteses de silicone, recuperando-se a funcionalidade da via aérea em 95%.
Referências
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